Historicamente, as classificações de café foram definidas pelo país produtor. No caso do Brasil, podemos recuar a 1917, há mais de um século. O termo "café especial" foi cunhado pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1974, para se referir a cafés de máxima qualidade, produzidos em regiões específicas com microclimas, cujo resultado seriam cafés únicos.
Pensados de uma perspetiva objetiva, os cafés seriam classificados em dois níveis:
- Classificação física do café verde: entre 0 e 5 defeitos secundários por cada 350g de amostra.
- Classificação de bebida: numa escala de 100 pontos, sendo que apenas os cafés com mais de 80 entrariam na categoria de especial. São sete os critérios ponderados para avaliar a bebida de um café: aroma, sabor, retrogosto, corpo, acidez, equilíbrio e nota pessoal do provador.
Nos últimos anos, a indústria tem procurado ampliar o conceito, indo além de uma simples análise dos grãos ou da bebida, focando nos processos de produção, na rastreabilidade, nos valores sociais e ambientais, na torra ou na preparação final da bebida em si. Esta classificação é da responsabilidade da SCA, Specialty Coffee Association, que está presente em todo o mundo, embora, para ser sincero, quem não trabalhe na indústria possa ainda não ter claro o que é e por que se diferencia de outros.
Qual é a diferença de um café especial para um convencional?
Como podemos observar à nossa volta, a gastronomia tem vindo a experimentar uma gourmetização de todos os produtos, e Portugal também aderiu a esta tendência. Produtos muito enraizados como o azeite, o presunto ou o pão, estão a adaptar-se a esta nova realidade, incorporando novas regulamentações para estruturar a sua classificação e oferecer ao consumidor confiança e certeza na hora de comprar. O vinho ou o queijo há anos que desfrutam de selos de Denominação de Origem ou Indicação Geográfica, o que ajudou a familiarizar-nos com conceitos que são formados por vários elementos (cultura, tradição, processo, controlo sanitário, etc.). Em suma, indicam-nos que o produto é autêntico, transparente e de qualidade.
Um café convencional pode ser um bom café, mas se tivéssemos que escolher o principal elemento de diferenciação entre os convencionais e os especiais, este seria a qualidade. Existem outras catalogações do tipo gourmet ou superior, que não são reguladas por nenhum organismo e geralmente estão associadas a estratégias comerciais, sem que por isso tenham que existir requisitos mínimos. A cena do café especial, focou-se inicialmente na qualidade como elemento principal e, com o tempo, foi ampliando o conceito, colocando a tónica na figura do produtor. A humanização do produto, contar a história que está por trás, informar a cadeia de valor, o comércio direto, são hoje parte da tendência na indústria dos cafés de máxima qualidade.
O que é para nós o café especial?
A Coffee Mori tem uma equipa multidisciplinar, mas o verdadeiro protagonista da história é o produtor. Desde o início, abordamos o café em geral com respeito pelo trabalho que é necessário para produzi-lo, seja de maior ou menor qualidade. Ser importador e produtor garante a transparência e o controlo sobre o produto, permitindo-nos oferecer cafés honestos sem cair na venda de pontos ou estatutos. Sabemos o que vendemos porque o produzimos, importamos, torramos e embalamos. Focar na origem do café, quem o faz, que trabalho envolve e garantir que o lucro volte ao local de origem faz parte da nossa proposta de negócio. O fundamental é entender as pessoas que tornam possível ter um café de qualidade, artesanal, familiar, com história e tradição, e que através das relações que se formam possamos desfrutá-lo todos os dias do ano.
Os nossos cafés especiais de produtor

